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Adeus aos urubus

E com toda suavidade e delicadeza, Alice foi espantando um a um os urubus que a vigiavam na espera do banquete. Muito mais do que crescer estatísticas e outras ferramentas de popularidade, Alice agora só tinha tempo para o que julgava importante. Estava tão ensimesmada que nem reparou no fim daquele ciclo. Alice escreveu numa folha de papel tudo o que detestava e depois queimou as cinco páginas, enxotando o que já não lhe servia junto com os urubus que logo ali aguardavam. E enquanto a fumaça se dissipava no céu azul, Alice consultou seus oráculos pessoais em mp3 que diziam there’s a time and a place for understanding, and a time when action speaks louder than words.

Depois de muito tempo, Alice finalmente entendeu o que aquilo significava.


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I’ll always take the roundabout way

Poderia estar enrolada na toalha passando o delineador torto e vestindo a mini saia que minhas pernas ainda permitem. Mas tem a zona cinzenta que se mistura com a sensação de não-sei-onde-me-encaixo, não-sei-como-agir. A gente tenta se aprumar depois da tempestade que deixa a casa uma bagunça e isso leva algum tempo. Outro dia eu disse que o tempo passa diferente para cada um mas agora acho que nem é isso. O tempo passa de acordo com o tamanho da bagunça que nossas tempestades pessoais deixam. Às vezes basta arrumar a estante; às vezes é preciso subir tijolo por tijolo.

No silêncio dessa sexta de carnaval eu escolhi continuar construindo.

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O feio bonito lhe parece

Segunda dose do whiskey barato. Agora ouvindo Dookie e lembrando como foi foda o show e pensando que eu deveria ter mais noites fodas como aquela. Aí eu viajo e começo a pensar no menino da criação. Se um dia ele me der bola e a gente tiver uma espécie qualquer de relacionamento, eu direi a ele que me apaixonei perdidamente naquela quarta-feira, 20 de outubro de 2010, enquanto assistíamos o Green Day juntos. Mentira, eu me apaixonei por ele bem antes, enquanto ainda estávamos pra ser assaltados no táxi. Que o sataque estranho de Brasília e o óculos de aro preto e a calça troncha e o casaco engraçadinho me derreteram na primeira conversa que tivemos. Não, você não é bonito. Mas você tem essa aura tristinha de quem precisa de um colo, de um cafuné e uma bela trepada no meio de Laranja Mecânica. Ou de uma bela trepada no lounge, no meio da tarde enquanto o resto da agência estiver ocupado demais com a concorrência, com o layout e com a redação. Mas divago, menino bonito. Sim, você é bonito. Não do jeito que as pessoas querem que você seja, mas do jeito que me agrada demais a visão. Eu ficaria horas olhando pro seu nariz bem feitinho e pra sua barba espessa, imaginando quantas canções seriam nossas e de mais ninguém. Imaginaria todos os shows que veríamos juntos e se faria com que você gostasse da minha banda favorita. A sua eu sei qual é e detesto, mas me esforçaria pra entender a beleza que você reconhece ali. Bom, eu acho Fake Plastic Trees foda.

Temos aí um começo.

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