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Contém 1 drama

Mas o fato é que a gente sempre espera. Espera que as pessoas notem que você não está no seu dia mais radiante, ainda que de longe. E a gente dá dicas. Eu pelo menos. Escrevi que precisava chegar em casa hoje e ter alguém pra me dar um abraço além da Punky. E a gente sabe, as pessoas têm suas vidas e ninguém para por causa de ninguém, só que esperamos ao menos uma janela no msn te perguntando se você precisa de alguma coisa. Sim, preciso. Preciso de um colo. Preciso que você me mande um abracinho virtual nem que seja por educação. Só eu acho que exite uma conexão entre aqueles que nos são mais caros, que faz a gente notar quando elas precisam de nós? Por que eu sempre sei quando alguém tá num dia ruim e por que ninguém sabe quando eu estou num dia de merda? Então eu penso que me apego às pessoas e que ninguém se apega a mim. Que eu sempre estou ali, tentando deixar o dia de alguém mais legal e que ninguém nunca tem tempo pra fazer meu dia melhor. A minha mãe me liga todas as noites. Ela está longe. Não há nada que ela possa fazer. Eu poderia dizer que estou triste por causa das coisas que ela me contou essa manhã, mas e daí? Deixá-la preocupada não resolve nada, então finjo estar tudo ótimo e que o dia foi maravilha. Ponho o fone no gancho e choro tudo o que me esconderam durante tantos anos. A mentira só adia o sofrimento. E ainda preciso lidar com a última sessão da terapia, aquela que arrancou meu maior segredo, aquilo que desde sempre fingi não ser nada demais. Às vezes eu me pergunto se eu tenho amigos, se tem alguém nessa puta dessa cidade que possa me socorrer num momento de desespero. Às vezes eu penso em voltar pra casa da minha mãe só pra ficar perto dos amigos da escola, aqueles que te viram crescer e que te amam apesar de qualquer coisa.

Desconfio. Desconfio das amizades que são feitas só de risadas. Desconfio de amizades que são amigas enquanto está tudo bem para todos. Na hora que a coisa aperta, na hora em que a corda arrebenta, bem, estamos cansados demais, trabalhando demais ou com coisas de mais pra fazer. Não queremos perturbação nas nossas vidas. Se vira aí que você é adulta. Vai lá buscar pessoas que nem você, ache novos amigos, sei lá. Só não nos crie embaraços. A vida era assim antes de você aparecer e agora ela continua sem você. Mas não fique triste, você é legal e inteligente e certamente tem um monte de gente aí querendo alguém como você. Eu nunca negaria. Eu nunca deixaria de lado. Eu nunca jogaria pra escanteio. Mas essa sou eu. Sorte a sua se eu gosto de você. O azar é todo meu.

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Sobre uma (tentativa de) vida nova

As noites de silêncio já não são desesperadoras como antes. Tristes sim, mas calmas. Brinco muito mais com a Punky agora, minha forma fazer algum barulho relevante. Vez em quando janto nem que seja uma lata de Pingles ou um saco de pipoca. Também já como no almoço e isso inclui as risadas do dia, pois meu amigo de mesa é sempre gentilmente tosco e hilário. Bebida com remédio tem sido cada vez mais rara por essas bandas. Larguei o ansiolítico pelo sono incontrolável. A ansiedade diminuiu naturalmente, essa é a irônia. Chorar ainda é um problema diário mas cada vez mais longe. Hoje por exemplo foram só algumas lágrimas e aquela velha pergunta, que aqui já é até retórica “por que eu deixei isso acontecer com a gente?” Aí me odeio um pouquinho pensando que poderia estar tudo bem se não fosse essa incompetência nata em não saber ser feliz. A culpa que eu carrego fica pela rua a cada dia, marcando o caminho como naquela estória de João e Maria, onde eles jogavam as migalhas pra não se esquecerem como voltar pra casa. Minha culpa serve pra isso, para que eu nunca mais esqueça onde é minha casa e volte pra ela sempre livre de tudo aquilo que pode destruí-la. Ah, não sei se vocês sabem, mas é muito fácil detonar um lar. Coloca-se explosivos na rotina sem que nem se perceba e uma hora explode mesmo. Minamos um campo que nem de batalha era por pura distração, por falta de foco no que realmente importa. Isso deve ser deixado pra trás. Sobre o leite derramado não se chora, só lamenta-se e se fica feliz pela chance de estarmos mais atentos na próxima vez.

Voltei a ter um pouco de fé. Não sei bem no que eu acredito, mas acredito. Acredito no poder consolador de um dia após o outro e na vontade súbita de ser feliz custe o que custar. Eu chamo, eu peço coisas pra alguém nada familiar, eu invento uma oração que me conforta, eu jogo tarô pra mim mesma. Na última vez foram as milhares de torres indicando o fim de algo como conhecemos e tazendo a renovação implícita. Eu sei, eu sei… Você aí deve estar pensando que a insanidade bateu na minha porta, mas te afirmo que não. Tudo que me resta é lucidez, ainda que um pouco desvairada. Eu fiz coisas que eu não deveria ter feito. Sem arrependimentos. Nunca segui a cartilha de comportamentos que se espera diante de situações como essa. E se você quer saber, nunca gostei delas. Nunca gostei de leis ou regras, acho que essa parte é notória. Por issovou agindo de acordo com o que a pessoa que sou pede. Certo e errado há muito tornou-se subjetivo demais. As coisas acontecem como devem acontecer. Na esfera de ação e reação, lógico. E não há nada lúdico nisso, pelo contrário. Reconhecer suas cagadas é um passo bastante digno.

E eu vou ligando os pontos, torçendo para que eles formem um desenho mais bonito de mim mesma, muito além daquele que vejo de manhã no espelho. Aceito. Não há muito mais que ser possa feito por agora, senão entender o passado e consertar o futuro. Ainda tem um monte de tralha dentro de mim. Algumas enraizadas e outras mais recentes. Não posso dizer que eu entendo tudo o que ele fez. Queria retaliação, por óbvio. E eu estou sendo bem egoísta aqui.  Só que de verdade eu nem me esforço pra que essa retaliação seja visível ou sentida. E me sinto péssima até por querê-la. Feliz ou infelizmente, o desejo de fazer mal pra alguém nunca foi amigo íntimo.

E devo um pouco dessa tentativa de uma nova vida a você, que veio aqui comentar e deixar suas lições próprias. Vocês que nem sabem a cara que eu tenho, fizeram as estatíticas desse blog chinfrim saltarem vertiginosamente, mesmo eu desejando inúmeras vezes que colocassem seus conselhos em lugares mais quentes. Somethings never changes e o meu mau-humorzinho – que eu sempre considerei um traço de personalidade tão venerável, embra saiba que não seja – será eterno. Só que agora sem ferir ninguém, muito menos eu.

Like a wave we cannot see
Washing over you and me
Hiding here and hiding there
Madness hiding everywhere
Such a curiosity
Here it comes to set us free
Plenty left for you and me.

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Sofrer é bonito

Continuou acordando na mesma velha rotina: escovar os dentes, passar o café, ligar o computador. Incluiu a leitura do jornal em papel pela manhã, muito mais por resgatar uma parte dele do que interesse nas notícias do dia propriamente. A pequena diferença são os olhos no espelho, cansados e vermelhos do choro da noite anterior e do choro antes de sair da cama. Não tem opção exceto a de encarar mais um dia na solidão absoluta. Apesar dos amigos que a acolhiam da forma mais plena possível, reconhecia a tristeza com que eles olhavam sua própria tristeza, cuja estampa lhe impregnava a cara e o olhar que se perdia ao longe em meio as risadas e aos copos de cerveja.

Acompanhar o tempo presente era o mais difícil pra ela. Seus pensamentos ora estavam no passado, ora estavam num futuro que parecia impossível não ser pra sempre sombrio. Recordava cada palavra dita e escrita, mas principalmente do que fizera, do que havia negado a demonstrar e que a colocara nesse hoje tão sem sentido. O maior desespero era saber que não existia nada que pudesse ser feito para reverter a situação. Como não se culpar? Como quem se impõe a auto penitência sagrada, ela precisava se punir a todo instante. Esse era seu modo de pedir perdão a ele e, de um modo meio troncho, a si mesma. Queria dar um novo sentido para as coisas, mas sentia-se cansada demais para juntar forças e começar tudo outra vez. Amar lhe soava muito distante. Deixar tudo pra trás era um pesadelo e o único sonho que tinha era estar onde tudo tinha ficado naquele último domingo.

Mas a rotina estava ali e não havia como negar que ele também estivesse. Fosse olhando as plantas que secavam na varanda, fosse ao se levantar para ir à cozinha. Ela perguntava pra ninguém se aceitava mais café e a pergunta era respondida com um não em voz alta. Alguns diriam que viver assim é uma espécie de suicídio lento e sofrido. Não discordava e achava a morte uma opção bastante boa, senão a única capaz de acabar com tudo aquilo. Claro que não se mataria, tudo isso era apenas a revelação do romantismo dramático que acompanha os amores não correspondidos ou aqueles que terminam, e que sempre achara tão bonito. Sofrer parecia bonito. Mas não queria ser egoísta – muito além do que havia sido – e por isso varria a cena da mente enquanto saia de perto da janela. Jogou fora os comprimidos, esvaziou a garrafa de bebida na pia limpa, colocou as mãos entre o rosto e chorou todo seu desespero. Ser livre sem estar liberta era o seu paradoxo infinito.

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4u

I know that actions speak louder than words, but what you didn’t say was louder than anything you ever did.

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Entendi uma coisa. Sair da vida dos outros é um exercício imposto pelo caminho. Às vezes a gente escolhe sair. Às vezes é jogado fora pelas circunstâncias. De qualquer maneira, sair da vida dos outros é uma etapa que vem antes da gente sair da própria vida. Daí a felicidade e a tristeza de seguir em frente. Antes do ocaso, antes de qualquer coisa – antes e depois dos sustos – existem as lembranças e a solidão plena. (…) Saudades da solidão de antes, uma solidão irrecuperável. Que pedia exatamente aquilo que o desconcertava no dia a dia. Em todos os aspectos: sentimentais, sociais, de convívio genérico e intimo, atravessar a rua e ir comprar paezinhos já não é algo tão prosaico e, do mesmo tempo, determinante como antes, mas uma atividade improvável e comprometedora, cujo pressuposto era a inclusão naquilo que ele jamais poderia ser incluído. *

*Texto de Marcelo Mirisola, roubado descaradamente do blog da T.

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Grounded

Sexta-feira.

Outro dia – e não faz muito tempo – escrevi um post medíocre começando com sexta-feira. Naquele dia nem podia imaginar que alguns dias depois estaria aqui, sozinha no silêncio do meu apartamento, sem gols de Fifa vindo da sala, sem os sons de tiro. Tiro no peito. A vida é uma puta, sempre disse. Num minuto as coisas estão nos seus lugares, existem planos. Exite toda uma vida a ser vivida de forma meio que planejada. Existe uma tv de tela plana e 42 polegadas que se quer por na sala. Livros, camisas, copos, sapatos. Tudo certinho, bonitinho, ordinário. No minuto seguinte se sai pra comprar um sorvete e as suas prateleiras ficam mais vazias que barriga de etíope. Seus amigos te abraçam, sua mãe liga de cinco em cinco minutos, sua barriga para de roncar. E você se consola com um texto que vai saindo, com o cachorro que ronca ao seu lado, com uma música no iTunes, com um pouco de vodka e dois dramins que é pra dormir logo e ter quatro horas de sossego. Pelo menos quatro horas sem que a cabeça tente entender o que não pode ser explicado. Ou pode, só que de um modo que você ainda não tem inteligência suficiente pra entender. Ou maturidade. Ah, eu era tão madura e tão cheia de mim. Mudei de emprego, joguei no lixo dez anos de profissão pra ganhar metade do que eu ganhava. Me achando tão corajosa e tão fodona. Achando 2010 um ano muito mais foda que 2009. Aí em menos de dois minutos de conversa toda minha boniteza escorre pelo ralo e agora eu estou aqui, tentando não pensar, tentando escrever, recolhendo meus caquinhos e jogando-os no lixo. Quem sabe, como naqueles filmes que eu via mesmo sem gostar, algo me transforme numa super-heroína cheia de virtudes e poder e justiça no coração. Quem sabe os resíduos tóxicos dessa melancolia que agora parece tão infinita me transformem em alguém que don’t give a damn e pule telhados com uma capa preta e vermelha de cetim, como quem tem uma segunda, terceira ou quarta chance de ser feliz outra vez.

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Só no rancorzinho, ô ô…

Eu não vou ao cinema. Acho chato aquilo de fila de ingressos, pipocas por 10 conto e cadeiras desconfortáveis. Meu último filme foi Vicky Cristina Barcelona e só por que era do Woody Allen. Nem Almodovar me comove a ponto de encarar salas do Cinemark. Também não fui ver nenhuma peça de teatro. Não gosto de teatro. Uma das melhores coisas que me aconteceram foi descobrir pessoas que também o abominam. O prazer de falar mal de teatro sem parecer pouco culta, pouco “in” ou pouco qualquer outra babaquice é inenarrável. Também não estive em nenhum show bacana. Tirando o Metallica, mas isso foi em janeiro. Teve o Jorge Aragão, mas isso foi trabalho e trabalho com Jorge Aragão não enche meu coração de alegria. Não li sobre os testes com iPad que pipocam nos melhores blogs de internet ou de social mídia, chamem como quiser. Só vi o filme do liquidificador pela curiosidade  do treco ser despedaçado enquanto um zilhão de pessoas fazem corações com as mãos por ele. Não tenho nada  a dizer sobre preconceitos e acho que falar a respeito disso muitas vezes o alimenta mais. Olha, eu também não sei qual o último grito em maquiagem ou a tendência dos esmaltes. Aliás, esmaltes me intrigam. Quanto assunto pode ser dito em torno disso? Aí, fotos. Eu gosto delas, mas elas andam me incomodando um pouco. Muita foto bonita por aí, todas fruto de bons efeitos. Cadê a arte daquela foto granulada pelo filme e não por photoshop? LOL Cats e os LOL Dogs são fofos e tudo, mas né? Next. Montagens engraçadinhas com cenas de filme e caras do Xzibit. Bo-ring. Youtube. Cara, se tem uma coisa pra qual eu não tenho paciência é o youtube. Nunca me comoveu. Que mais? Twitter.  Ainda não respira por aparelhos, mas está em estado crítico. Talvez o que me canse seja não ter mais muito tempo pra ele. Tumblr é lindo, mas entra naquilo que eu falei sobre fotos. Blogs. Então. Blogs. Ando sem saco. Suas crônicas são ótimas, mas de verdade, se você fosse um puta cronista publicava um livro e tentava ganhar dinheiro com ele (pasmem, mas pessoas ainda ganham dinheiro com livros).  Ações. Vamos falar um pouco de trabalho. Pode ser minha pouca experiência no assunto, pode ser que eu esteja falando merda, mas não vejo nada de novo, surpreendente ou muito foda. Acho tudo mais do mesmo. As que eu faço, as que os outros fazem. Outro dia eu li uma frase que fez todo o sentido: Ideas are easy, implementation is hard. Fica aí pra reflexão de quem se interessa pelo assunto. Podem me gongar também, mas é o que eu acho. Opiniões. Hoje me dia todo mundo tem que ter uma opinião formada sobre tudo. Não, eu não prefiro ser essa metamorfose ambulante. Raul Seixas era chato, porra! Falando em porra, porra! Tudo agora é porra uma troço qualquer. Que saco. Amigos. Certa vez conversava sobre coerência na amizade. Desculpem-me os adeptos da política da boa vizinhança, mas se tem uma coisa que eu exijo é coerência com amizade. Amigos, amigos; negócios à parte não me convence. Não vem falar uma coisa e fazer outra. Assuma que você é um puxa-saco grandão que eu não te pertubo mais com minhas cobranças. E juro que te entendo. Sem ressentimento. Sem rancor.

PS.: Ganhei o apelido de “Chewie” na agência por conta do meu coração ser tão peludo, que nem é mais um coração, mas um verdadeiro Chewbacca. Faz todo o sentido.

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