Category Archives: Fora de moda

(in) Famosa

 

 

 

 

 

 

Adivinha que vai estar na próxima Trip?
Beijos.

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De repente, viu que estava

Era setembro de 2008 e eu tinha acabado um namoro de uma forma nem tão madura pra começar outro de forma menos madura ainda (embora eu tivesse plena certeza de que estava fazendo tudo certinho dessa vez). Eu já tinha mais de 30 naquela época e espera-se que pessoas de 30 sejam, senão mais adultas, menos estúpidas que aos 20. O texto aí foi escrito uma ou duas semanas depois da vida ter virado de cabeça pra baixo de uma forma ótima. Eu estava mais feliz do que nunca e o dia em que eu o escrevi foi o único momento de dúvida que eu tive nos quase dois anos seguintes.

Vez em quando eu releio os arquivos do meu blog pra saber quem sou, se ainda sou ou se nem sou mais nada do que um dia fui. E relendo esse post, é impossível não pensar como eu pude me equivocar nesse tanto. Porque estava tudo ali, o futuro passou na frente dos meus olhos nesse dia e eu preferi fechá-los. E tem sempre aquilo: qual é mesmo a certeza que temos nessa puta dessa vida?

“Naquele dia, voltou pra casa pensando se fizera a coisa certa. Depois de uma tarde estranha, em que viu os seus adjetivos direcionados, na mesma proporção e intensidade, para ouvidos (ou olhos?) alheios, começou a se questionar. Antes pensou se não era a paranóia peculiar de outros tempos que voltara, mas estava convencida de que não. Justo ela, que sempre fora racional para caralho, desconfiada para caralho e, por que não, loser para caralho, não pode evitar a dúvida, tão sutil quanto apavorante. Trocara o certo pelo incerto de uma maneira que jamais cogitara em qualquer aspecto da sua vida nos razoáveis anos de existência. A segurança, que é aquele lugar tão quentinho e familiar, fora às favas sem hesitação, substituída por todo um mundo novo, admirável ou nem tanto. E foi assim, pensando e pensando, que se deu conta do que tinha feito nas últimas semanas. Como se uma ficha gigante – no melhor estilo bigorna e Jerry (o rato, não o Seinfeld) – caísse de repente em cima da sua cabeça, parou para analisar no que estava se metendo pela primeira vez desde então. Primeiro, sentui-se orgulhosa pela coragem de fazer o que fizera; depois, triste por ter feito o que fez; por último, feliz por fazer o que estava fazendo. Parada em frente ao MASP, quis ir até o bar tomar qualquer merda de bebida quente que ajudasse a não pensar mais em nada. Acabou descendo a ladeira que levava até sua casa. Quinze minutos depois, sobrava apenas uma certeza: a de que dormira em frente ao monitor e tivera um pesadelo.”

Há! De repente a vida confirma. De repente a gente entende. De repente, vi que eu nunca poderia ter estado mais certa.

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Dirty Dancing não curto

Patrick Swayze se foi e na memória ficam seus memoráveis filmes que arrebataram corações de toda uma geração. Tá, eu não conheço a filmografia inteira do cara e provavelmente nem vi todos os seus filmes, mas tem um em especial que marcou a minha vida de uma forma bastante relevante -pra não dizer terrível – e esse filme é Dirty Dancing. Eu sei que todo mundo adora a dancinha, a música e a chata Baby, mas eu não compartilho desse mesmo sentimento. Se pudesse escolher, Dirty Dancing nem teria existido.

O ano era 1988 se não me engano. Eu estava completando 12 anos e minha festa de aniversário seria no salão do condomínio onde eu morava, que era bem grande e com muitas crianças, de modo que tinha vários amiguinhos. Eu era uma pré adolescente bastante saudável, sem traumas ou coisas semelhantes. Andava de bicicleta com a mesma desenvoltura que falava em público, coisa que até então não tinha sido um problema. E eu adorava fazer festas de aniversário porque era o meu dia, aquele em que todas as atenções eram voltadas pra mim.  Sem contar que era a única época do ano em que eu podia escolher uma roupa nova sem a ingerência da minha mãe e isso significava ter muita independência. Nada nem ninguém poderia me contrariar no dia do meu aniversário. Nada, até os 12 anos.

Acontece que o maldito Dirty Dancing tinha sido lançado no ano anterior e a moda entre as minhas amigas era tentar imitar a coreografia. Então que na minha festa de aniversário nós fizemos uma competição para eleger quem melhor imitava a Baby no filme. Não sei bem porquê acabou só eu e a Aninha competindo. Ela era mais nova, uma ruivinha com sardas – bastante engraçadinha, devo admitir – e fazia ballet na mesma academia que eu. Aninha era ótima na tal coreografia, mas eu também arriscava bem nas piruetas. A competição seria acirrada. Lembro de ter vacilado um pouco antes de começar a dançar por conta da destreza de Aninha. Só me tranquilizei quando lembrei que aquela era a minha festinha  e, sendo assim, nada iria me contrariar ou me tirar do centro das atenções, muito menos a Aninha.  Na minha cabeça eu achava que seria muita ousadia se os meus convidados não me aclamassem vencedora. E como perder estava fora de cogitação, respirei fundo e me posicionei na pista.

Som na caixa, Aninha e eu nos pusemos a bailar. Rodopiávamos cabeça, tronco e membros de modo virtuoso. Tinha uma parte em que a gente agachava e aí levantava rapidinho jogando a cabeça pra trás, deixando os cabelos fluírem que nem nas propagandas de xampú. Confesso que lá pela metade da música eu já estava toda atrapalhada, mas não parei de dançar. Ainda que eu soubesse ser a dona da vitória, não queria ser desleal e ganhar sem competir até o fim, por isso continuei fazendo meus passinhos e dando meus rodopios, mesmo que meio capenga. Aqui faço uma observação. Apesar de fazer ballet, eu odiava aquilo de sapatilha e rede de cabelo. Fazia porque mamãe achava lindo ir ao Municipal no final do ano me assistir. E eu sempre dava vexames loucos, como por exemplo parar no meio da cena e dar um tchauzinho pra algum conhecido que eu avistava sem querer na platéia ou correr para a coxia pela esquerda enquanto todas as outras meninas corriam para a direita. Eu não era boa na dança, verdade seja dita. Mas voltemos à fatídica competição. Fim da música, um segundo de silêncio e aí vieram as palmas.

A avalanche de vozes gritando “Aninha, tum tum tum; Aninha, tum tum tum” caiu sobre mim como a maior derrota que a vida poderia me dar. Todos os meus convidados estavam ali, formando um meio círculo ao nosso redor e aplaudindo a idiota da Aninha em uníssono. E isso no dia do meu aniversário! Aquele era o dia especial em que o mundo girava em torno do meu umbigo e de mais ninguém, eu havia sido derrotada. Lembro da fúria invadindo meu pequeno peito e da vergonha avermelhando minhas bochechas.

Não quis saber do fim. Não queria consolo de ninguém, nem abraços, nem justificativas. Tudo o que eu queria era sumir. E foi o que eu fiz. Saí correndo pelo prédio e me escondi atrás de um carro. Ouvia as pessoas me procurando, chamando pelo meu nome, mas não respondia e não voltei mais pra festa. Nem sei se tive parabéns naquele ano. Fiquei ali por horas, amargando a vitória da Aninha no dia do meu aniversário, até que a fome falou mais alto do que minha vergonha e eu voltei pra casa. Ninguém nunca mais tocou no assunto.

E assim Dirty Dancing cagou minha adolescência. Foi naquele único segundo de silêncio entre o fim da coreografia e o início da aclamação popular pela vencedora que eu perdi pra sempre minha habilidade de lidar com o público e agir naturalmente diante de mais três pessoas, me tornando essa pessoa tímida e amarga que vocês conhecem. Desde aquele dia, não entrei mais em nenhuma espécie de competição, nem nos jogos do colégio. Aposentei pra sempre as sapatilhas  (o que foi um alívio, pra ser bem sincera) e não voltei a dançar. Também não vi mais o filme. Qualquer referência a ele me dava arrepio na espinha. Passei a abominá-lo mais que demais e até hoje tenho pra mim que se trata de um filme super valorizado com uma coreografia medíocre. Patrick Swayze (que deus o tenha) só voltou a ter algum sentido em Ghost.

Se esse não é o maior trauma que uma criança pode ter na vida, não sei qual é. Até hoje eu acordo vez em quando suando no meio da noite, ouvindo as vozes que gritavam contra mim o nome de Aninha, a ruiva. Eu sinceramente espero que Dirty Dancing seja enterrado junto com Patrick. E ai de quem inventar de fazer um remake dessa merda.

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Encaremos os fatos:

Ando sem saco pra escrever, sorte sua. Vou só fazer um comentário sobre o post anterior: não tinha pensado no lance da Aids, mas depois que cogitaram isso nos comentários achei que faz sentido. De qualquer modo, não estou com esse tipo de dúvida, caso alguém tenha pensado assim. A verdade é que a frase muito se encaixa na atual conjuntura de mi vida: Waiting is painful. Forgetting is painful. But noy knowing which to do is the worse kid of suffering. Falando do meu emprego e da minha vontade agoniante de mandar tudo e todos irem tomar no meio dos seus respectivos cus, embora eu saiba que essa definitivamente não é a decisão mais acertada. Já fiz isso outra vez e tenho certeza que me fodi. De modo que vou aguardar cenas do próximo capítulo, rezando pra Glória Perez não ser a autora da minha novela pessoal. Tampouco Manoel Carlos, me acumulei de dramas.

No mais, continuo cada vez mais linda, heh! Só pra não perder o costume. Nem a auto estima.

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#sessãoagendavelha

Era 1993. Eu estava no colegial, terceiro ano. Estudava no Objetivo, um dos colégios mais fáceis de se conseguir aprovação sendo um aluno bem medíocre. É o que a gente achava na época e tínhamos razão.  Mudei pra lá pra terminar o ginásio, pois tinha sido convidada a me retirar da escola de freiras em que estudei quase a vida toda. Não foi traumático nem nada. Com 14 anos, eu já estava de saco cheio das orações antes das aulas, saias de pregas e irmãs circulando no pátio na hora do recreio (oi, sou velha, beijos).

E como todo adolescente que se preze, eu também andava em bando. Um bando de gente “impopular”. Ou nem tanto assim. Éramos moleques folgados, fazíamos piada a aula inteira e, pelo menos três vezes por semana alguém era expulso da sala. Ignorávamos solenemente o professor e íamos estudar juntos na época das provas, o que era só mais um motivo pra rir ou pra falar mal dos outros – e de nós mesmos, caso alguém da turma não estivesse presente –  ou pra decidir o que íamos fazer no final de semana, coisa que não variava muito. Era sempre o mesmo bar, a mesma discoteca e alguma bebida. Peppermint, lembro que eu gostava muito disso e conseguia ficar bêbada tomando essa merda. Eu tinha 17 anos e chegava em casa cinco da manhã sem grandes problemas. A gente meio que se achava fodões, mas nós erámos bastante losers, pensando bem agora. Nunca fomos nerds, quero deixar claro. Trocávamos sem pensar os livros, o video game e seriados de tv por qualquer outra atividade mais excitante, como bolar aula pra ficar na praia ou ir pro Zé das batidas às dez da manhã.

Na turma tinha a Helô, que não usava saias jamais e era fã do Ozzy que nem eu. O Gê, que desenhava maravilhosamente bem e tinha um jeitão meio grunge, embora desconfiássemos que ele fosse gay desde sempre. Tinha o Carlinhos, o cabeludo mais inteligente que eu já vi na vida, porque só ele passou na USP e isso foi na primeira tentativa. E tinha mais gente. A Binha, por exemplo, estudou comigo desde sempre lá escola de freiras e acabou mudando pro Objetivo um ano depois que eu. Nós já conhecíamos o Gê de longa data, porque ele também estudou na mesma escola de freiras que a gente, embora não fôssemos da mesma turma, muito menos amigos. Nós vivíamos perseguindo ele na saída. Era mochilada nas costas e tapas na sua cabeça, sempre que não tínhamos nada melhor pra fazer. E no fim, caímos todos na mesma sala no colegial e ficamos muito amigos. Eu já era bastante o que eu sou hoje. Gostava de rock, usava muito preto sem ser gótica ou coisa assim. Às vezes eu era meio riponga e às vezes eu saía com uma bermuda xadrez e camiseta de banda, tudo comprado sempre um número maior do que aquele que eu realmente usava. E isso foi bem antes da moda das calças big.

E tinha o Lui, que era gordo e mal humorado pra caralho e irônico pra caralho e, estranhamente, curtia reggae. Lui adorava um drama. Ele ia repetir o terceiro colegial e por isso acabou mudando pra outra escola na metade do ano. Embora o Objetivo fosse uma escola fácil, tinha outros redutos estudantis mais fáceis ainda. Me lembro que muita gente do Objetivo mudou pro Cenáculo (Cenáculo, isso lá é nome de colégio?) pra evitar a repetência. Fato é que éramos todos um bando de vagabundos sem o menor interesse pela escola.

Daí que uma das coisas que a gente mais gostava de fazer era escrever cartas um pro outro. Não existia e-mail, sms, orkut nem essas porras de redes sociais. Ninguém ia pra escola com notebook. Então, perdíamos aulas e aulas escrevendo cartas e trocando bilhetes. E foi dentro de uma agenda daquele ano de 1993 que eu encontrei a carta mais drama queen ever que um menino poderia escrever. Acho que ela só não supera a carta que meu pai escreveu pra minha avó certa vez, quando ele foi estudar num internado adventista. Lui escreveu essa carta quando ele já tinha mudado de escola.

Mamber,

Tirei essa aulinha de English pra te escrever algumas linhas que outrora estava lhe devendo, pois meus afazeres tomam-me todo o tempo disponível. Bom, falando sério, nós vamos mesmo pra paúba? Tô morrendo de saudades das vibrações rasta do litoral. Vai ser muito bom ir sem o “?” – sinta as minhas ondas telepáticas e adivinhe de quem eu estou falando. Ai, ai, ai, ai que bom! Acho que estamos livres daquela bicha louca, graças a sua hostilidade. Até que essa sua “salve simpatia” nos proporcionou um bem, né môr? Te amo! (insira uma ironia gritante aqui).
São 11:37:5_ (o 1º duvidoso é o último significativo?) e nem preciso falar que as paredes do meu estômago já colaram faz duas horas e a vontade de devorar uma guloseima é grande. Mentalizo todo o cardápido do Cibus nesse momento.
E já que eu vou falar contigo pessoalmente, não vou ficar mais gastando a minha kilometrica, a caneta simpática por um preço milimétrico!
Te amo mucho, Lui!
PS.: Acabou de cair um meteoro na minha cabeça, uma caixa de toddynho, que eu acho que estava cheio de pedra, pois já sinto 3 coagulos se manifestando dentro do meu cérebro. Isso por que não tem como alguém jogar nada lá de cima, pois não tem nada dos lados da janela. Isso me dá medo, esse colégio me deixa em pânico. Aqui dentro, parece que eu estou em outra dimensão, no tempo da palmatória e das caravelas.
Ah! VOCÊ NÃO SABE!!!!!!!!!
Um ser da minha classe veio falar comigo (isso porque eu nunca tinha visto a criatura antes) sobre a nossa dança no La Fiesta. Ele disse que morreu de rir vendo a gente dançar. Mas o PIOR é que ele quis puxar meu saco, dizendo que eu, se liga, DANÇO BEM!!!
Pode? Cada vez mais eu penso em sumir do martírio que é esse colégio.

E eu sei que ela não teve graça nenhuma pra vocês. Ainda assim, eu precisava colocar ela aqui. Nunca me perdoaria se pegasse fogo na minha casa e eu perdesse isso. O que me faria rolar de rir daqui dez anos?

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De repente, acordei

Vi as luzes que depois virariam seis sóis que virariam apenas um sol enorme sobre a minha cabeça. Senti frio enquanto meus sentidos iam sumindo a cada gota que descia. Senti um pequeno choro, acho que foram duas ou três lágrimas antes de dormir. Então eu já estava correndo na grama, com o mesmo vestido florido do sonho de outro dia, agora sem os saltos altos. E eu vi um milhão de borboletas voando atrás de mim, todas coloridas, levando embora a dor que eu senti. Lembro de ter sorrido um sorriso quase largo. E em algum momento, lembro de ter pedido desculpas ao mundo por não ter conseguido ser o que deveria ter sido. Mas quem pode condenar o tempo? E quem sou eu pra lutar contra ele? Então olhei pro céu azul e vi o sol enorme brilhando sobre mim, que depois viraria seis sóis e depois só luzes outra vez. Acordei no mesmo lugar, a vida continuava a mesma. O mundo ainda era o mesmo que eu conheci. Foi assim que de repente eu acordei. E foi assim que eu soube que eu nunca mais seria igual.

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Oi?

Eu sei, ninguém entendeu a história da menina das sobrancelhas desenhadas. Mas foda-se, hoje já estou cagando pra essa vaca e suas vontades irritantes quanto a sobrancelhas ou seja lá o que for. Ontem eu fiquei até nove e meia da noite tomando no cu e pra quê? Pra hoje receber um telefonema solicitando a manutenção da coisa como era antes. Ou seja, tomei no cu e nem gozei.

Vou ali cortar os pulsos e já volto.

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