Category Archives: Drunk Confessions

Tão 2005

De acordo com as próprias preferências, as sextas de chuva e tempo ruim são sempre as melhores para Alice. Um pijama largo, meias furadas, rabo de cavalo. Sentada de frente para o mundo, pede uma pizza, toma um drink. Os bichos dormem ou brincam. A casa, quase silenciosa, é o lugar mais bonito que existe. Pelo menos nas sextas de chuva e tempo ruim. A cidade não lhe incomoda, as pessoas estão bem, o amor está na sala. O quase silêncio é o que mais conforta, pensa. Porque o silêncio total daqueles outros tempos era perturbador. Sozinha sem se sentir só, Alice abre todas as janelas que precisa e passeia por elas lendo em blogs a vida alheia, uma das coisas que mais gostava de fazer.
Em uma noite de sexta tão 2005, Alice é feliz e não liga em ser um pouco brega também.

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Dez minutos depois de engolir os comprimidos, as coisas perdem grande parte do sentido.  E a vida torna-se tão banal que nem João acreditaria.

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Wanna grow up to be the DEBASER*

Eu conversava na terapia sobre o lance do isolamento. Ela me contou ser bem comum, num grupo de amigos onde alguém fica solteiro, ser isolado. Nem é algo consciente do tipo isolem essa solteira maldita e tomara que ela arda no mármore da abstinência sexual, mas acontece com muita frequência. Acho bem estranho porque eu sou totalmente o inverso. Sempre que alguém fica ou está solteiro no meu grupo de amigos é que eu faço questão de manter a pessoa por perto. E eu ouço, né? Pode falar e reclamar mil vezes da mesma coisa, sempre vou concordar com o quer que seja. Se você estiver sozinha porque tomou um pé do crápula, eu vou achar o cara um crápula mesmo pro resto da vida, não importa o tanto de crianças etíopes que ele adote depois. Capaz de eu até achar que se trata de pedofilia. Eu sei que as pessoas são diferentes, eu sei. A gente sabe principalmente depois de certa idade. Sempre fui – ou tentei ser – um tipo de amiga que não cobra e não gosta de ser cobrada. De uns tempos pra cá essa minha tentativa falhou miseralvelmente. Eu passei a exigir amor e atenção de qualquer um e ficava puta quando não tinha. Mas é claro que isso tem muito a ver com a minha personalidade. Eu abraço com braços e pernas e defendo até a morte. E, embora eu tenha meio que aprendido a não criar expectativas, elas acabam existindo. Ah, as expectativas. Se o grande mal da humanidade não é a aids, a expectativa é uma forte candidata.

E isso de abraçar as causas alheias me remeteu à coerência numa conversa mal interpretada como acontece toda vez que eu falo com essa criatura. Sempre fui muito coerente com as posturas que resolvi adotar, com as coisas que me propus a defender ou  a maneira de encará-las. Vou dar um exemplo bobo: se um dia eu disser pra você que odeio a banda x, vou odiá-la pra sempre não importa quantos albuns incríveis ela lance. É mediocre, mas dá pra entender. E eu sempre exigi coerência especialmente em amizade. Por que ou você gosta de alguém ou você se fode pra ele. Não existe meio termo na minha lógica amigável. E isso é muito ruim porque coerência demais te faz perder boas oportunidade na vida. Falando de um lifestyle sincero que só enfia no seu rabo. De modo que ando precisando de mais incoerência. Sei lá, sair abraçando gente que, num primeiro momento, foi parar na categoria daqueles pra quem você pouco se fode. Ser menos sincera e mais falsinha. Dar mais risada e soltar menos suspiros de impaciência.

Eu poderia dar uma banana gigante pra tudo isso. Olha, eu sou assim, me ame assim ou vai morrer pra lá. Mas eu me importo, né? Eu tanto me importo que tou aqui, escrevendo um post provando isso. Me falta muito arroz com feijão pra ser the debaser.

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Ps.: E por favor, sem achismos. “Ah eu não te chamo porque você não vai querer ir“. “Mas você vai achar todo mundo babaca e vai brigar comigo”. Olha, eu gostaria de decidir por mim mesma, tá?

Ps2.: Título inspirado no último post incrível da Lory.

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Moving on

Minha única certeza – e nela eu me agarro com pés, braços, corpo e coração – é de que tudo que vem depois é sempre melhor do que aquilo que se tinha antes.  Essa é a última palavra sobre o assunto, que aqui enterro junto com o sonho da noite passada, onde um milhão de corpos caíam pelas ruas enquanto eu corria e era única sobrevivente. A morte, assim como é na carta de tarô, significa só renascimento. Fim de ciclo, game over mesmo. Aqui declamo essa minha pequena morte. Amanhã eu estarei viva outra vez.

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Grounded

Sexta-feira.

Outro dia – e não faz muito tempo – escrevi um post medíocre começando com sexta-feira. Naquele dia nem podia imaginar que alguns dias depois estaria aqui, sozinha no silêncio do meu apartamento, sem gols de Fifa vindo da sala, sem os sons de tiro. Tiro no peito. A vida é uma puta, sempre disse. Num minuto as coisas estão nos seus lugares, existem planos. Exite toda uma vida a ser vivida de forma meio que planejada. Existe uma tv de tela plana e 42 polegadas que se quer por na sala. Livros, camisas, copos, sapatos. Tudo certinho, bonitinho, ordinário. No minuto seguinte se sai pra comprar um sorvete e as suas prateleiras ficam mais vazias que barriga de etíope. Seus amigos te abraçam, sua mãe liga de cinco em cinco minutos, sua barriga para de roncar. E você se consola com um texto que vai saindo, com o cachorro que ronca ao seu lado, com uma música no iTunes, com um pouco de vodka e dois dramins que é pra dormir logo e ter quatro horas de sossego. Pelo menos quatro horas sem que a cabeça tente entender o que não pode ser explicado. Ou pode, só que de um modo que você ainda não tem inteligência suficiente pra entender. Ou maturidade. Ah, eu era tão madura e tão cheia de mim. Mudei de emprego, joguei no lixo dez anos de profissão pra ganhar metade do que eu ganhava. Me achando tão corajosa e tão fodona. Achando 2010 um ano muito mais foda que 2009. Aí em menos de dois minutos de conversa toda minha boniteza escorre pelo ralo e agora eu estou aqui, tentando não pensar, tentando escrever, recolhendo meus caquinhos e jogando-os no lixo. Quem sabe, como naqueles filmes que eu via mesmo sem gostar, algo me transforme numa super-heroína cheia de virtudes e poder e justiça no coração. Quem sabe os resíduos tóxicos dessa melancolia que agora parece tão infinita me transformem em alguém que don’t give a damn e pule telhados com uma capa preta e vermelha de cetim, como quem tem uma segunda, terceira ou quarta chance de ser feliz outra vez.

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“The worst mistake anyone can made is being too affraid to make one.”

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Sunday Secrets

From Post Secret. Always.

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