Category Archives: Dead Man’s Party

Das despedidas, parte II

Eu vi esse post de uma amiga no Facebook se despedindo dos seus 25 anos em duas palavras e dois números, de um jeito que deu para sentir como é se despedir de cada ano que passa quando se tem vinte anos.  Essa década da vida poderia ser representada por uma flor de dez pétalas, em que você faz o tal do bem-me-quer mal-me-quer todos os anos, deixando pra trás lentamente a época que é (parece ser) a sua última oportunidade de errar. Enquanto temos vinte e alguns, estamos licenciados a sermos babacas, patéticos, chorões, mimados, valentes, briguentos, apaixonados, infantis e adultos ao mesmo tempo. O tempo todo. Mas, uma vez atravessada a barreira dos 30, acabou. O mundo (imaginário) vai te cobrar postura, acertos, decisões e “definitismos”.  Vai te cobrar sucesso.
O meu desejo é que todas as pessoas nos seus vinte anos ajam assim. Que vivam essa década como se realmente fosse a sua derradeira chance de “estragar” a vida. Pois quando todos chegarem aos trinta, perceberão, aliviados, que ainda existem mais dez anos de perdão pela frente.

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Dos porquês

Por que é mais fácil escrever quando se está triste? A vida é tão mais bonita na alegria, mas escrever das alegrias não é tão fácil. Mei que patético. Não quero te contar sobre como estou feliz, mas quero que você venha me confortar se eu estiver triste.

Por que é mais fácil se deixar levar pelas glórias de um dia e esquecer que para conseguir outras é necessário buscar por onde? Olha, eu fiz uma coisa muito legal semanas atrás, tive ajuda de pessoas especiais, consegui falar o que eu precisava. Tinha uma sala cheia de gente que eu nunca vira antes. Elas falaram, conversaram, fizeram perguntas e ninguém ficou sem resposta. Teve aplausos no final, embora eu não tenha conseguido um parabéns de quem mais importava no assunto. Se eu quero mais? Sim, quero. Se eu estou fazendo algo pra que isso aconteça? Não. Por quê? Não sei. Eu posso ler mais, me empenhar mais, discutir mais, argumentar mais. Em vez disso, reclamo. Por quê? Porque é mais gostoso.

Por que eu não terminei de limpar o que restou da coleção de discos? Comprei as novas capas, o líquido especial, mandei fazer a prateleira. Limpei alguns e aí deixei a tarefa pro outro final de semana, que virou o outro final de semana que virou outro, outro e aqui estou, olhando para a prateleira pronta, cheia de LPs que aguardam minha mais que mercida atenção. Desculpa meu pai. Apesar de não parecer, o valor que estes discos herdados de ti tem pra mim é incalculável. Eu vou terminar de limpar todos eles. Um dia. Não demora. Eu juro.

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Alice passou a maior parte daquele domingo tentando escrever sobre como se sentia. Nada estava ficando bom. A culpa era da falta de prática: quanto menos escrevemos, menos sabemos escrever. E por mais que Alice trabalhe – veja a irônia – escrevendo, não era igual. Escrever textos curtos não é como escrever três, quatro, cinco parágrafos. Alice estava perdendo a mão. Por quê? Porque Alice já não escrevia, porque Alice já não queria juntar letras pra ninguém ver, porque Alice compete no imaginário com pessoas que nem sabem que Alice escreve.
E perde. Alice sempre perde.

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Aí é foda

É muito difícil ser dramática quando não há dramas. É quase patético, pra ser bem sincera. Começa-se uma, duas, três vezes a frase e nada. Joga-se parágrafos inteiros no lixo de tão ruim que é. Fosse eu escritora, fingiria. Porque é isso que os bons escritores fazem, eles inventam dores e inventam todos aqueles acontecimentos tristes e facilmente identificáveis por qualquer um. Eles têm imaginação, repertório, referência e pensam fora da caixa, seja lá o que isso signifique. Mas alegria demais em textos fica parecendo aquela coisa horrorosa de auto afirmação da felicidade que, de fato, é bem ridícula; muito mais ridícula que a farsa sobre cortar os pulsos só pra chamar atenção. Tristeza inspira, felicidade te torna meiqui retardado. O meio termo é só isso mesmo. De modo que não sobra muito, pelo menos por aqui.

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Preciso beber mais pra começar a escrever alguma coisa, e então percebo que o cigarro está no final. Cogito pedir uma pizza só pela entrega dos maços; fome eu não tenho faz tempo.

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The king and the lady against the king

Inicia-se agora a fase da substituição, aquela em que a nova pessoa se esparrama nos lugares que antes te pertenciam. Se esparrama pelos amigos, pelos bares do final de semana, pelos almoços de domingo. E aos poucos vamos sendo trocados de lugar, como peças de um jogo de xadrez onde o xeque-mate é mais do que inevitável; é inerente, preciso e certeiro. O rei fora atacado por peças adversárias e já não pode mais permanecer na casa em que estava. É o game over da vida real. Ontem, enquanto Alice alternava passos fora do ritmo com goles de sua bebida favorita, um trecho da canção que tocava lhe saltou aos ouvidos. Mentalmente anotou a frase para compratilhá-la no dia seguinte. No dia seguinte que é o dia de agora, Alice não lembra mais daquilo que tanto gostou.

Try this shit again?
( ) yes
( ) no
(x) wathever

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Mythbusters

Eu tento, juro pela minha mãe mortinha atrás da porta que eu tento me manter longe de tudo. Mas aí você sai numa noite de sábado pra se divertir e ao parar no primeiro semáforo do trânsito comum da rua que fica a duas ruas da sua casa, o fantasma tá ali. Bem ali na calçada ao lado, todo pimpão e sorridente. Estamos falando de São Paulo e não de uma cidadezinha do interior onde só te resta a pracinha pro passeio dos finais de semana. Aí me lembrei de uma história bem antiga, mas que vale a pena ver de novo.

Tinha esse meu ex namorado que me deu um pé na bunda. Não foi uma grande surpresa, ele já vinha sinalizando que isso aconteceria. Por que é assim que funciona. A gente fala, conversa, explica, fica de cara feia e faz birra pra mostrar pro outro que não tá legal. Aí ou você se manca e muda ou simplesmente continua fazendo o que quer e foda-se se a pessoa vai embora. Veja, você teve opção e pelo menos uma chance. O que não pode acontecer é deixar o outro pensando que tá tudo ótimo e um dia simplesmente pegar seus paninhos de bunda e dizer tchau sem grandes explicações. Me parece a maior desonestidade que pode existir num relacionamento. Você tá ali, fazendo planos e achando que abafa enquanto o seu par está pensando qual seria o melhor dia pra te dar um fora. Enfim. Então esse meu ex namorado – que não queria mesmo voltar comigo – fez a coisa mais honesta que ele podia: sumiu. O cara simplesmente sumiu da minha vida. Nunca mais frequentou qualquer lugar que eu fosse e eu o vi poucas vezes depois do término. E olha que a gente morava em Santos, aquele ovo de codorna com praia.

Tô contando essa história só pra dizer que um relacionamento termina por que acabou o amor, acabou tesão. Pode ser por que a convivência tornou-se insuportável e você não aguenta mais nem o cheiro da outra pessoa. Pode ser por que você arrumou outro amor, que fez seus olhos brilharem mais que Césio 137. Qualquer que seja o caso, a coisa mais decente que se pode fazer é terminar de verdade. Óbvio que pode ficar amizade, mas isso só acontece quando ambos decidem que não dá mais. Ainda assim, há que se ter uma espécie de maturidade que eu por exemplo desconheço. O que não pode jamais acontecer é aquela coisa insólita de recaídas – especialmente se você ainda é a fim de quem teve a iniciativa de terminar. Recaídas não vão te levar a lugar algum, exceto a um arrependimento posterior gigante e a uma vontade sem fim de bater a cabeça contra a parede. E é aqui que entram os caçadores de mitos. Se você ainda é a fim de quem te deu o pé, não serão as recaídas que farão a pessoa voltar. De fato, poucas vezes quem termina um namoro pensa em voltar pra ele. Mesmo que seja TU-DO de incrível quando a criatura passa o final de semana com você. Mesmo ela que atenda todas as suas ligações e te procure muitas vezes. Porque as “recaídas” só existirão até o momento em que o outro arrumar alguém pra colocar no seu lugar. E aí minha amiga dona de casa, não há sentimento, compaixão, bom senso ou amizade que sobreviva. Você pode acredita-lo.

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So long and thanks for all the shoes.

Eu nunca me arrependo das escolhas que faço, mesmo sabendo depois serem erradas. Espero que você nunca se arrependa de ter apertado aquele botão.  De fato, a gente só deve perder tempo com quem realmente importa. Agradecemos a não preferência.

Deve existir um certo sadismo nas pessoas que eu sinceramente desconheço.

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