Category Archives: Danny Elfman já me amou

Time’s short your life’s your own and in the end we are just dust and bones

Mas é no trânsito que tanto odiamos onde alguma coisa acontece, onde a cabeça para pra pensar no dia a dia, no que se conseguiu, no que se perdeu, nos erros e acertos, na vida que se leva, na quase loucura que é sair de casa bem cedo e nunca voltar antes das nove da noite. E no trânsito a sua estação de rádio favorita te entrega as músicas que eram suas, depois de vocês, depois só suas outras vez. As músicas nunca se dividem, estão ali para quem quiser ficar com elas e fornecer um outro significado, um novo contexto. Diferente dos livros; essses se vão na partilha. E você acelera bem devagar e breca meio rápido porque é o trânsito e, veja a irônia, o trânsito não anda. Acender um cigarro é quase a esperança de que tudo ande, de que parem de trocar de faixa, de que cada um continue no caminho escolhido lá trás antes de se juntar aos tantos outros ali parados, com a mesma esperança, o mesmo desejo de que tudo volte a transitar fluidamente. Sem os nós, sem os impasses, sem os erros e sem aquele monte de gente querendo sair da direita pra esquerda e da esquerda pra direita. É aí que se confunde, que se perde, que se bate, que não se entende. No trânsito tão odiado há tempo pra pensar. Entre dois ônibus, no segundo anterior ao retrovisor quebrado pelo motoqueiro, no momento de pedir passagem – e isso pode até ser com os braços estendidos pra fora da janela. No trânsito o pensamento transita. E transitamos. Transito no trânsito e em verbos transitivos diretos ou indiretos, pra mim tanto faz.

And you get out on your own and you take all that you own and you forget about your home and then you are just fuckin’ gone. She loved him yesterday. Yesterday’s over, I said okay and that’s all right. Time moves on, that’s the way. We live and hope to see the next day and that’s all right.

Advertisements

Leave a comment

Filed under Danny Elfman já me amou

The king and the lady against the king

Inicia-se agora a fase da substituição, aquela em que a nova pessoa se esparrama nos lugares que antes te pertenciam. Se esparrama pelos amigos, pelos bares do final de semana, pelos almoços de domingo. E aos poucos vamos sendo trocados de lugar, como peças de um jogo de xadrez onde o xeque-mate é mais do que inevitável; é inerente, preciso e certeiro. O rei fora atacado por peças adversárias e já não pode mais permanecer na casa em que estava. É o game over da vida real. Ontem, enquanto Alice alternava passos fora do ritmo com goles de sua bebida favorita, um trecho da canção que tocava lhe saltou aos ouvidos. Mentalmente anotou a frase para compratilhá-la no dia seguinte. No dia seguinte que é o dia de agora, Alice não lembra mais daquilo que tanto gostou.

Try this shit again?
( ) yes
( ) no
(x) wathever

Leave a comment

Filed under Danny Elfman já me amou, Dead Man's Party

Quase dez anos depois da última vez, se encontraram por acaso num bar de amigos comuns. Foi a primeira vez que se cumprimentaram desde o fim. Ele perguntou como ela estava e ela fez o mesmo. Aparentando interesse em leva-la para a cama, Alice apenas disse:

– Não se iluda. Não mudei quase nada daquele tempo pra cá.

Então foi embora segurando seu copo, deixando o babaca de pau duro para trás.

Leave a comment

Filed under Danny Elfman já me amou

É preciso reconhecer quando somos a pior versão de nós mesmos. E o tempo que te engole, engole sem piedade. Às vezes não sei distinguir se foi o tempo que fez tudo isso ou se isso foi tudo o que eu fiz com meu tempo.

2 Comments

Filed under Danny Elfman já me amou

The heroes never show

Fácil seria se ela contasse tudo. Das expectativas que tu plantou, das cervejas escondidas, da vontade de tirar-lhe a calcinha apesar do não. Mas pode ficar com o heroísmo barato que ela já assumiu o papel da louca, a carta zero. E entende o constrangimento pelo qual a fez passar. Entende qualquer coisa e aceita os socos no estômago em plena segunda-feira. E espera. Espera o dia que o mundo virá lhe dar tapinhas desnecessários nas costas por tudo que passou.

Leave a comment

Filed under Danny Elfman já me amou

Incrível? Não, medíocre

Eu penso como queria ser uma pessoa incrível, cheia de coisas incríveis que acontecem no cotidiano e que viram posts mais incríveis ainda. Ou pelo menos eu queria ser uma pessoa incrível que sabe inventar coisas incríveis que bem poderiam acontecer no cotidiano. Mas encaremos a realidade. Sou só uma pessoa medíocre, cheia de coisas medíocres que tranforma essas coisas medíocres do cotidiano em posts mais medíocres ainda. Ou pelo menos eu sou uma pessoa medíocre que não sabe inventar nada mais legal que a mediocridade que me permeia.

2 Comments

Filed under Danny Elfman já me amou

It’s just the beast under your bed, in your closet, in your head

Sei que faz bastante tempo. Serão 10 meses na próxima sexta desde aquela conversa numa esquina que já não faz mais parte das esquinas em que vivo. O tempo passou rápido demais por aqui. Parece que o tempo passa diferente para cada um. Não fiz novos amigos, não conheci outra gente nem passei a frequentar novos lugares. Eu não sei o que fiz desse tempo além de esperar que as coisas mudassem. Fiquei longos finais de semana bebendo, fumado e ouvindo Marillion em looping na frente do computador por que eu acho que é isso que as pessoas tristes fazem. Elas se destroem aos pouquinhos ouvindo a música mais triste que existe na playlist.

Leave a comment

Filed under Danny Elfman já me amou