Category Archives: Alta Fidelidade

Das mudanças finais

Alice agora escreve aqui: http://cronicalice.wordpress.com.
See ya’ round! 😉

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Chuva de prata na minha infância

“Toda vez que o amor disser vem comigo, vai sem medo de se arrepender. Você deve acreditar no que eu digo. Pode ir fundo. Isso é que é viver. Chuva de prata que cai sem parar e quase me mata de tanto esperar. Um beijo molhado de luz sela o nosso amor. Enquanto se esquece de mim, lembra da canção.
Oh Lua bonita no céu molha o nosso amor.”

***
Eu me lembro de um dia em casa com a minha mãe em que ela ouvia essa música sem parar. Não me lembro que idade eu tinha, mas acredito que ela estivesse apaixonada – ou pelo meu padrasto ou por um outro padrasto temporário que eu tive, que não era bem padrasto pois nunca morei com ele. Um espanhol, um cara legal que me deu um “Boca Rica” e um “Peposinho” quando sofri desidratação e tive que ficar por mais de uma semana internada. Eu sempre achei ele legal porque me dava presentes, essa é a verdade. Muitos presentes. Não sei que fim levou, parece que virou piloto de fórmula truck ou coisa que o valha. Um dia conto a história da minha mãe que tinha dois namorados e tento resolver se isso foi ok para mim ou se sofro uma disfunção de comportamento por isso. Sinceramente, espero ter uma disfunção qualquer, pois não há nada que eu ame mais nesse mundo do que um pequeno drama e pequenos traumas. Mas divago.

Então que nessa época onde minha mãe ouvia Gal em looping dentro do nosso primeiro apartamento próprio, eu presumo hoje que ela estivesse mesmo apaixonada. Ninguém ouve tanto Chuva de Prata se não está acometido de um amor arrebator, uma grande paixão, uma imensa vontade de ser feliz por qualquer coisa.

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Alice envelhece sem perder a ternura

Sempre ria das pessoas que tentavam adivinhar a sua idade. Ninguém nunca acertava, e ficava feliz quando recebia cinco, oito e até dez anos a menos. Mas foi de repente que isso parou. As pessoas não se surpreendiam mais  com seus 36 anos. Não que fosse motivo de tristeza, mas era o indício fatal de que começara a envelhecer. Ontem mesmo disse pro namorado que em 3 anos e meio teria 40 anos. Ele concordou e acrescentou que teria 30 em 3 meses. Ela retrucou com um graças a deus. Afinal, há quanto tempo estavam juntos e ele não saia da casa dos 20 anos mesmo? Enfim, era um alívio ele fazer trinta e era bastante assustador estar perto dos 40. Pois diferentemente do medo que as pessoas têm de cruzar a casa dos 30, chegar aos 40 é quase uma profecia. Você vai ter 40 anos – desculpe-me se você tem 40 anos e lê isso – e ter 4o anos é o início do fim. Ok, exagerando aqui. Diz-se por aí que 50 is the new 30. Concordava muito mais para esquecer que o tempo passa do que por acreditar naquilo. Não seria tão ruim ter 40 anos se continuassem lhe dando 30. Mas por acaso não estavam, hoje, lhe dando 26, de modo que algo estava indo bem mal na sua aparência. Culpa do cigarro, óbvio. Só que fumar era tão parte da vida que parar poderia ser muito mais catastrófico (ainda em dúvida aqui sobre o tipo de catástrofe que parar de fumar possa causar a alguém).

Então numa manhã de segunda-feira, Alice (que, sejamos francos, estava apavorada com o fato ter 40 anos em 3 anos e meio) ligou pro demartologista e marcou a consulta mais cara da sua vida. Sabendo que essas consultas seriam mais e mais frequentes a cada ano, fez uma rápida projeção sobre o quanto ganhava e quanto teria que ganhar para bancar tais visitas sem aperto. Além da consulta, tinha que inserir o valor do peeling e eventual  preenchimento. Mais triste com o prognóstico sobre os gastos do que o fato de ter 40 anos em 3 anos e meio, Alice resolveu improvisar sobre a própria condição. Afinal, ninguém é jovem pra sempre. Já pobre…

Era jovenzinha
Com cara de mocinha
O tempo foi passando
E virou tartaruguinha
Alice não se cansa
De passar creme na cara
O médico não lhe engana
E não vai levar essa bolada

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Das despedidas, parte II

Eu vi esse post de uma amiga no Facebook se despedindo dos seus 25 anos em duas palavras e dois números, de um jeito que deu para sentir como é se despedir de cada ano que passa quando se tem vinte anos.  Essa década da vida poderia ser representada por uma flor de dez pétalas, em que você faz o tal do bem-me-quer mal-me-quer todos os anos, deixando pra trás lentamente a época que é (parece ser) a sua última oportunidade de errar. Enquanto temos vinte e alguns, estamos licenciados a sermos babacas, patéticos, chorões, mimados, valentes, briguentos, apaixonados, infantis e adultos ao mesmo tempo. O tempo todo. Mas, uma vez atravessada a barreira dos 30, acabou. O mundo (imaginário) vai te cobrar postura, acertos, decisões e “definitismos”.  Vai te cobrar sucesso.
O meu desejo é que todas as pessoas nos seus vinte anos ajam assim. Que vivam essa década como se realmente fosse a sua derradeira chance de “estragar” a vida. Pois quando todos chegarem aos trinta, perceberão, aliviados, que ainda existem mais dez anos de perdão pela frente.

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Alice brinda não mais com chá de cadeira

A segunda-feira que não começa com peso de uma segunda-feira e termina com o alívio e a certeza de que as coisas caminham para um rumo, senão certo, ao menos melhor.
Que seja assim, leve e surpreendente, todas as segundas-feiras que estão por vir.

Alice e seus amigos comemoram a segunda-feira coruscante.

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Do amor

Ontem no telefone com minha mãe:

– Filha, amanhã é dia das mães, você vem almoçar?
– Então, eu…
– Por que você sabe a importância que eu dou para o dia das mães, né?
– Sei, por isso que eu não vou descer para almoçar com você.

Daí nós duas rimos bem alto, porque o amor que sentimos uma pela outra não precisa de um segundo domingo de maio.
 

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Da juventude

Eu vejo foto postada por uma amiga da escola em que ela aparece abraçando um homem de cabelo branco, e eu me pergunto: será esse aquele irmão que peguei certa vez e disse que chamaria meu filho de Poseidon, só pra chocá-lo?

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