A/C Papai Noel

O senhor sabe que não seria diferente e por isso eu já vou começar reclamando. Na verdade, lamentando (acho que lamento melhor do que reclamo, depois você me diz) coisas muito chatas que aconteceram hoje. Desculpe não entrar em detalhes, realmente não posso. E se você é mesmo tão sabichão, com certeza já deve estar por dentro do que me faz triste por dentro. De qualquer forma, agora talvez esteja mais com raiva do que triste. Ou com uma tristeza raivosa ou com uma raiva tristonha. Seja como for, fato é que esse não foi o meu melhor dia. Nunca desejei tanto voltar atrás em algo dito. Sei que muito desse sentimento ruim é pura imaturidade, birra que criança faz quando o caderno vem com menos de cinco estrelinhas seguidas de um parabéns. Eu fico muito puta da vida quando sou mau interpretada, sabe? Como naquela vez em que eu lhe pedi uma motoquinha com motor e você me trouxe uma bicicleta. Durante muito tempo fiquei possessa com a interpretação errônea do que estava escrito na cartinha. Se eu tinha sido uma boa menina, por que o presente viera errado? Foi mais ou menos assim que me senti hoje. E aí veio toda uma sensação de que as pessoas com quem eu passo a maior parte do meu tempo não me conhecem. E isso nem é culpa delas, eu acho. Enfim, encerro esse assunto aqui, pedindo que em 2012 o senhor me traga menos impulsividade e um pouco mais de respira-conta-até-dez-que-passa. Entendeu? Quer que eu explique outra vez?

Esse ano de 2011 foi muito louco. Coisas legais e horríveis e muito muito legais aconteceram, muitas delas ao mesmo tempo. Se minha cabeça chorava por um motivo, ria ao mesmo tempo por outro. Teve também a época do conformismo, do quase esquecimento, de levar a vida da melhor maneira que fosse possível porque é sempre possível continuar. Teve os dias de bebedeira e ressaca quase morte, arrependimentos dantescos, incredulidade nas coisas escancaradas, dias e dias de raiva. E aí passou. Tudo ficou no esquecimento, tudo foi relevado e o passado nada distante parecia habitar em outra galáxia. Promessas foram feitas, viagens combinadas, rotinas novamente estabelecidas e tudo bem. Simples assim. Tudo ficou bem, tudo está bem. O gap de um ano e meio sequer parece que existiu. E se você me perguntar se estou com medo, responderei que não. Tudo está muito bem e isso não me assusta. Se perdi maturidade em algum ponto, certamente ganhei muita em outros. Óbvio que jamais abandonarei o quinta série way of life, incluindo aí as indiretas, os ódios momentâneos e incerteza sobre a boa vontade sincera de algumas pessoas. Porque é assim que tem que ser.

Daí não sei bem o que pedir pra 2012. Não tô a fim de ser politicamente correta e pedir paz no mundo, saúde pra família, benção pros amigue blá blá blá. Eu ganhei três coisas incríveis esse ano: uma promoção com aumento, um ex ex namorado e uma viagem pra Europa. What else, Santa? Ganhei amizades e mantive amizades que me importam de verdade. Saí do trabalho antes do sol se por. Fiquei sem carro cinco meses e comprei um carro novo (mesmo sem vender o velho). Frquentei a linha 4 do metrô, andei de trem, fiz escala em Frankfourt. Perdi um monte de show que queria ver, fui em outros que eu nem queria tanto, abracei o Ozzy Osbourne. Não fiquei doente, ninguém querido morreu. A internet continua uma vadia e o serviço de 3G também. Fui assaltada, cai de cara no meio da rua, achei que estava com câncer na língua (mas era só uma afta). Não tive que aturar (muita) gente chata. Meus bichos estão lindos, meu apartamento está lindo, as contas estão pagas e o trânsito na paulista está mais infernal do que qualquer outro ano. Ainda assim, se o senhor quiser me dar alguma coisinha – por mérito mesmo – eu gostaria que a vida continuasse do jeito que está. Só com um pouco mais de dinheiro e com mais exclusividade de recuros, pois construir uma vida a dois tem que ser assim. Pra mim tem que ser assim. E que se cumpram as promessas, claro.

No mais, boa viagem aí no seu trenó, não esqueça de nenhuma criancinha e espero que suas renas não tenham que ir pra oficina.

Com amor,

Amber.

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2 Comments

Filed under Alta Fidelidade, Wishlist

2 responses to “A/C Papai Noel

  1. Ira

    Que se cumpram as promessas, tds elas, p/ Amber ser mais feliz.

    Eu tô precisando de UM TU-DO, Papai Noel. Desde um fígado novo até a colher de pau, lixeira pro banheiro e dinheiro pra visitar mamãe de vez em quando. Mas a vida está assim vazia do material e cheiona do emocional, pq nunca ganhei tanto amor e tanto amigo qt ganhei esse ano. Então, tá ruim mas tá bão.

    ps. Não autoriza o comentário anterior.. aahahahahahaha

  2. Cara, no meu caso é ao contrário: Papai Noel, pega 2011, faz uma bolinha, joga pro alto e não deixa nunca mais voltar. Please.

    Mas dinheiro pra todos nós, claro, sempre!

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