De tudo, um pouco

Alice foi surpreendida pela carta entregue em mãos nessa manhã. Quase tinha se esquecido da conversa do final do ano passado. Não esperava tanto, embora quisesse mais. De qualquer forma, Alice se sentia recompensada. Nada de tapinhas nas costas tampouco pedidos de desculpas além dos muitos que já tinha recebido. O que Alice segurava naquela manhã era mérito pessoal e intransferível. Achou engraçado o modo como, em momentos de chão que se perde pro bem ou pro mal, um filme rápido passa em nossas mentes, relembrando as cenas que nos levaram até ali, e quase acreditou que isso acontece também na hora de toda a morte. Depois que a tarde veio, Alice pensou na ironia. Como algo que fora adiado por tanto tempo acontece justo em um dia como hoje? Parece conspiração cósmica ou qualquer outra baboseira astrológica. Mas de fato, não dava pra negar a coincidência, se é que ela existe. Em todo caso, Alice crê mais na ironia. “Rá, rá, rá achavas que eu era apenas um velho safado e bem, acertastes” disse a voz no seu ouvido.

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