O Chapeleiro não era maluco

Alice voltou ao médico que cuida dos seus humores. Desde que fora diagnosticada e tratada com comprimidos para distúrbio de ansiedade, Alice se sente cansada. Desmotivada é a palavra que prefere usar. Acorda querendo dormir e dorme pensando no longo dia que terá ao acordar. Alice insiste na cama, chega atrasada, se perde nas janelas do navegador durante a tarde. Alice contou tudo e ganhou mais um remédio. Não sabe quanto do seu pouco dinheiro se perde nos caixas da farmácia, e sabe preferir os sapatos. Alice se pergunta por que todos os dias. E claro, ela nunca encontra respostas. Mas Alice não planta os acontecimentos, embora creia ser isso que os outros pensam. Que Alice busca, que Alice pede e se perde, que é a única culpada. Alice não começa conversas. Alice se esconde por vezes e sempre lhe acham. Julgam Alice sem conhecer o outro lado da história que Alice não conta. Por isso Alice sente primeiro raiva, depois mágoa e por fim resigna. Alice quer ser inquirida por aqueles que lhe importam.

Hoje Alice tirou os sapatos e a insistência fez seu telefone tocar. No meio das incertezas que tanto detesta, desapertou o cinto de segurança e colocou a cabeça pra fora.
De cílios longos e saia curta, Alice saiu pra dançar.

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1 Comment

Filed under Fricção

One response to “O Chapeleiro não era maluco

  1. Aguardando com ansiedade os próximos passos dela.

    haverá?

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