Ao mestre com carinho

Tenho conversado muito na terapia sobre aprender a impor limites. Os meus limites. De valer ou não a pena, escolher quem merce ou não o seu tempo. De dar importância pra quem realmente faz por onde. Isso nos mais variáveis níveis de relacionamento. De família a amigos, de namorado a ambiente de trabalho. É preciso saber a hora de dizer não, assim como é preciso saber manter por perto quem você quer ter perto durante uma boa parte da sua vida. Desde que inventaram as desculpas ficou muito fácil cagar na cabeça dos outros e depois dizer: desculpa. Mas esse post nem é pra filosofar sobre isso. Filosofia é um saco e eu realmente não boa na argumentação. O negócio é que hoje eu fiz algo que seria incapaz de fazer em qualquer outro momento da minha vida e eu estou me sentindo muito adulta com isso. Antes de contar a história, leia:

“Na verdade não tenho muito o que contar. Eu estou bem, sempre estive e você de alguma forma deve saber disso, já que nunca mais me procurou apesar de eu ser a única filha do seu único irmão. De verdade, não tenho vontade nenhuma de manter um relacionamento com você. Te devo ótimas lembranças da minha infância e é só. Não vou entrar no mérito sobre a divisão de bens que aconteceu quando minha vó Mercedes morreu porque de verdade, dinheiro nunca me faltou. Espero que você tenha sido muito feliz e que continue sendo. Fique em paz.”

Uns dias atrás eu encontrei minha madrinha no Facebook e adicionei ela como amiga. Ela me mandou uma mensagem toda linda dizendo que era uma “delícia” me “reencontrar”. Respondi apenas com dois pontos e parenteses, o famoso 🙂 (que pode significar um sorriso sincero ou um sorriso sarcástico, é preciso ser bom na arte de interpretar emoticons pra não levar gato por lebre. Ou sarcasmo por amizade). Então ela me respondeu pedindo que eu escrevesse um email pra ela contando como eu estava. E eu contei o que eu tinha pra contar.

Essa minha madrinha desapareceu da minha vida há uns 10 anos. Nunca mais me ligou. Fosse aniversário, Natal, nada. Eu li a mensagem e pensei: posso mandar um email pra ela contando amigavelmente as coisas pelas quais passei nos últimos anos ou posso ser ter um minuto de sinceridade. Optei pelo minuto sincericídio. Afinal, que diabos ela quer comigo? Jura mesmo que importa saber como eu estou? As pessoas ou são burras demais ou elas são cara de pau demais, eu não sei. O que eu sei é que tenho limites e que se você realmente se importa com alguém, cuide enquanto é tempo.

Pois é tia, eu nunca me senti tão bem.

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6 responses to “Ao mestre com carinho

  1. Foi sensacional. Eu diria o mesmo pra minha madrinha (e pra grande maioria da minha família), mas tenho evitado ao máximo falar com ela (a madrinha e a grande maioria da minha família).

  2. Modna

    Claps eternos!

  3. luisa

    entao por que tu adicionou ela como ” amiga”?

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