Wanna grow up to be the DEBASER*

Eu conversava na terapia sobre o lance do isolamento. Ela me contou ser bem comum, num grupo de amigos onde alguém fica solteiro, ser isolado. Nem é algo consciente do tipo isolem essa solteira maldita e tomara que ela arda no mármore da abstinência sexual, mas acontece com muita frequência. Acho bem estranho porque eu sou totalmente o inverso. Sempre que alguém fica ou está solteiro no meu grupo de amigos é que eu faço questão de manter a pessoa por perto. E eu ouço, né? Pode falar e reclamar mil vezes da mesma coisa, sempre vou concordar com o quer que seja. Se você estiver sozinha porque tomou um pé do crápula, eu vou achar o cara um crápula mesmo pro resto da vida, não importa o tanto de crianças etíopes que ele adote depois. Capaz de eu até achar que se trata de pedofilia. Eu sei que as pessoas são diferentes, eu sei. A gente sabe principalmente depois de certa idade. Sempre fui – ou tentei ser – um tipo de amiga que não cobra e não gosta de ser cobrada. De uns tempos pra cá essa minha tentativa falhou miseralvelmente. Eu passei a exigir amor e atenção de qualquer um e ficava puta quando não tinha. Mas é claro que isso tem muito a ver com a minha personalidade. Eu abraço com braços e pernas e defendo até a morte. E, embora eu tenha meio que aprendido a não criar expectativas, elas acabam existindo. Ah, as expectativas. Se o grande mal da humanidade não é a aids, a expectativa é uma forte candidata.

E isso de abraçar as causas alheias me remeteu à coerência numa conversa mal interpretada como acontece toda vez que eu falo com essa criatura. Sempre fui muito coerente com as posturas que resolvi adotar, com as coisas que me propus a defender ou  a maneira de encará-las. Vou dar um exemplo bobo: se um dia eu disser pra você que odeio a banda x, vou odiá-la pra sempre não importa quantos albuns incríveis ela lance. É mediocre, mas dá pra entender. E eu sempre exigi coerência especialmente em amizade. Por que ou você gosta de alguém ou você se fode pra ele. Não existe meio termo na minha lógica amigável. E isso é muito ruim porque coerência demais te faz perder boas oportunidade na vida. Falando de um lifestyle sincero que só enfia no seu rabo. De modo que ando precisando de mais incoerência. Sei lá, sair abraçando gente que, num primeiro momento, foi parar na categoria daqueles pra quem você pouco se fode. Ser menos sincera e mais falsinha. Dar mais risada e soltar menos suspiros de impaciência.

Eu poderia dar uma banana gigante pra tudo isso. Olha, eu sou assim, me ame assim ou vai morrer pra lá. Mas eu me importo, né? Eu tanto me importo que tou aqui, escrevendo um post provando isso. Me falta muito arroz com feijão pra ser the debaser.

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Ps.: E por favor, sem achismos. “Ah eu não te chamo porque você não vai querer ir“. “Mas você vai achar todo mundo babaca e vai brigar comigo”. Olha, eu gostaria de decidir por mim mesma, tá?

Ps2.: Título inspirado no último post incrível da Lory.

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3 Comments

Filed under Drunk Confessions

3 responses to “Wanna grow up to be the DEBASER*

  1. Ira

    Vc é quase uma cópia de uma grande amiga minha.
    “Olha, eu gostaria de decidir por mim mesma, tá?” ouvi essa mesma frase (xá eu ver aqui), exatos três dias atrás e sobre a mesma questã.

    E acho válido acampar odiando acampamento, ir em night de playba pra falar mal de todo cidadão que passar, de vez em quando. Não é questão de incoerência ou ser falsinha. Vejo mais como uma experiência de vida.. mais uma.

    ;*

  2. madá maciel

    experimenta esse lance de ser mais falsinha e abraçar geral, que hoje em dia é todo mundo tão superficial que a gente termina se “adaptando”

  3. Noadia

    Nossa, concordo plenamente com você nessa das expectativas!
    Elas fodem nossa vida, a vida do amiguinho e doem horrivelmente!
    Se alguém achar o remédio pra esse mal eu realmente ficarei agradecida!

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